Agilidade no desenvolvimento de aplicações: fazer, corrigir, entregar e atualizar com rapidez

Agilidade no desenvolvimento de aplicações: fazer, corrigir, entregar e atualizar com rapidez

A feliz união entre a metodologia Ágil e as plataformas low-code

 

 

 

“EU JÁ CONHEÇO MANIFESTO ÁGIL, IR PARA LOW-CODE ÁGIL”

“A transformação digital ocorre em diferentes níveis de maturidade em diferentes organizações. Quanto mais desenvolvida essa maturidade, mais a realidade de viver em um mundo digital implica efeitos de longo alcance. Noções de ética digital, assim como a criação e operação de produtos digitais, tornam-se hoje problemas reais, que precisam ser enfrentados mais rapidamente do que esperávamos. As organizações que lidam com essas questões devem estar dispostas a mudar várias vezes sua abordagem, se quiserem ser bem-sucedidas.”

A afirmação é do Gartner1, e o profissional de TI conhece bem essa situação. Fazer e refazer sistemas para atender às mudanças exigidas por um cenário em que os negócios mudam continua e aceleradamente faz parte do seu dia a dia. A eles, esse dinamismo não causa estranheza.

Foi exatamente um grupo desses profissionais que criou, no início dos anos 2000, a metodologia Ágil para o desenvolvimento de aplicação, para que o dinamismo exigido hoje se torne natural nessa atividade – o que não se consegue com os processos tradicionais, que burocratizam e engessam o desenvolvimento de aplicação. O objetivo final é atender sempre com rapidez às necessidades do cliente, com tantas mudanças quantas forem necessárias.

Com o sucesso da metodologia Ágil na gestão de projetos, ela foi estendida para além da TI, e vem sendo empregada por diversas áreas de negócio pelos bons resultados que oferece no que diz respeito a tornar mais eficientes processos e fluxos de trabalho.

Tradicionalmente, o desenvolvimento de aplicação segue as seguintes etapas: levantamento e análise de requisitos, desenho da arquitetura, implementação, testes, produção e manutenção. Do ponto de vista da metodologia Ágil, essa abordagem “trava” o desenvolvimento e, em última instância, não favorece os negócios, uma vez que o atraso na entrega dos sistemas pode afetar negativamente o resultado das empresas.

 

O Manifesto

Um grupo de programadores renomados como referência no meio profissional em todo o mundo, lançou em fevereiro de 2001, o Manifesto Ágil, contrapondo métodos mais flexíveis aos métodos tradicionais de desenvolvimento de aplicação.  A abertura do manifesto declara dar prioridade a:

Indivíduos e interações a processos e ferramentas

Aplicação que funciona em relação a uma documentação completa

Colaboração com cliente a negociações de contrato

Responder a mudanças a seguir um plano

 

Os autores avisam que, embora enxerguem valor nos itens listados à direita, eles valorizam mais ainda o que estão à esquerda. E expressam em 12 princípios as bases para o que acreditam ser as melhores condições e atitudes para o desenvolvimento de aplicação:

  1. Nossa maior prioridade é a satisfação do cliente, entregando aplicação de qualidade rápida e continuamente
  2. Aceitar com prazer as mudanças solicitadas, mesmo em fase final de desenvolvimento. Os processos ágeis aproveitam as mudanças para oferecer maior vantagem competitiva ao cliente
  3. Entregar aplicação que funciona, em semanas ou meses, de preferência no prazo mais curto
  4. Profissionais das áreas de negócio e de desenvolvedores de aplicação devem trabalhar sempre em conjunto durante todo o projeto
  5. Desenvolvimento de projetos com profissionais motivados, a quem se confere o apoio de que precisam e a confiança de que realizarão o trabalho
  6. O método mais eficiente e eficaz de se transmitirem as informações à equipe de desenvolvimento é a conversa pessoal
  7. O funcionamento da aplicação é a principal medida do progresso
  8. Os processos da metodologia Ágil promovem o desenvolvimento sustentável. Os responsáveis pela contratação, desenvolvedores e usuários devem trabalhar no mesmo passo o tempo todo
  9. Atenção contínua à excelência técnica e um bom design aprimoram a agilidade.
  10. Simplicidade – ou arte de maximizar a quantidade de trabalho não realizado – é essencial
  11. As melhores arquiteturas e projetos surgem de equipes auto-organizadas
  12. A intervalos regulares, a equipe deve refletir sobre como se tornar mais eficaz, fazendo os ajustes necessários ao trabalho.

 

 Low-code é Ágil

A automação de processos de negócios e tarefas nas empresas é inevitável e ganha escala cada vez maior. Já em 2018, pesquisa realizada pelo McKinsey Global Institute apontava que, em todos os setores, havia potencial para automatizar mais de 30% das tarefas, correspondendo a 60% dos empregos existentes naquele momento2.

O volume de aplicação a ser desenvolvido para atender a essa demanda é colossal. E as oportunidades para atender a esse mercado, muito grandes. Em tal cenário, a metodologia Ágil e a plataforma low-code são uma excelente combinação. A plataforma a low-code assegura a entrega efetiva de tudo o que a metodologia Ágil promete.

E quanto mais madura a cultura Ágil em uma organização, melhores os frutos que poderá colher da combinação da rapidez da tomada de decisões que essa metodologia proporciona com a velocidade de desenvolvimento de uma plataforma low-code3.

Velocidade no desenvolvimento é um benefício inegável das plataformas low-code, e o mais tangível, o primeiro a ser percebido por quem o solicitou o serviço. Essa é uma das principais razões para o crescimento exponencial do mercado para essas plataformas. Elas deverão ser usadas para desenvolver 65% das aplicações corporativas em todo o mundo até 2024, de acordo com estimativa do Gartner em seu Quadrante Magico de 2019 para plataformas low-code de aplicações empresariais.

Em um texto com o título Tudo o que você precisa saber sobre low-code mesmo que não seja responsável pela entrega de aplicação (Why You Need To Know About Low-Code, Even If You’re Not Responsible for Aplicação Delivery), publicado em blog de agosto de 2018, o vice presidente e analista principal da  Forrester, John Rymer, afirmou que as plataformas low-code podem “tornar o desenvolvimento de aplicação 10 vezes mais rápido que os métodos tradicionais”.

O fato de não exigir que o desenvolvedor seja tarefa exclusiva dos profissionais de TI é um fator importante a favor das plataformas low-code, comprovando a facilidade de uso de suas funcionalidades. Uma vantagem significativa oferecida por alguns dos fornecedores é a governança automática pelo time de TI da organização de qualquer aplicação desenvolvida, o que permite à empresa usufruir dos benefícios da agilidade na criação de aplicação sem os riscos da chamada shadow IT, em que departamentos e grupos na empresa decidem desenvolver ou adquir seus aplicativos sem coordenação do time de TI.

As plataformas low-code também ajudam a integrar as equipes de desenvolvimento e operações dentro da organização de TI. Considerando que “operações” incluem por exemplo segurança, testes, análises e integrações, entre outros itens, os grupos envolvidos em todas essas atividades conseguem trabalhar juntos visando objetivos comuns. Além disso, são ideais para criar aplicações multicanal, para web e dispositivos móveis, com a vantagem da inteligência artificial e aprendizado de máquina já incorporados à plataforma de desenvolvimento,

Em suas previsões para este ano de 2020, o Gartner afirma que a união da metodologia Ágil com DevOps é chave para a transformação digital, permitindo a constante atualização de sua infraestrutura e aplicativos de negócios4.

A união da metodologia Ágil como desenvolvimento de aplicação em plataformas low-code traz inúmeras vantagens à empresa. Alguns conselhos para maximizar essa associação:

  • Foco no backlog – Na metodologia Ágil, o backlog é a lista de prioridades no que diz respeito às funcionalidades do projeto a ser desenvolvido. O dono do produto é peça chave nesse processo, já que são fundamentais sua capacidade de liderança e de tomada de decisões. E todos os grupos interessados no projeto terão que ser, também, mais responsivos do que no passado, fornecendo documentação, informações e feedback para o backlog com rapidez.
  • Intensificar a colaboração – A maioria das plataformas low-code facilita a colaboração, em tempo real, dos membros técnicos e não-técnicos do projeto. O ideal e que desenvolvedores e profissionais voltados para os negócios trabalhem juntos desde o início, especialmente quando são complexas as histórias de usuário – ou seja, o que eles esperam realizar com a aplicação. Isso é essencial para a correção rápida de erros: o desenvolvedor faz as modificações pedidas pelo usuário, que por sua vez faz em tempo real a revisão.
  • Eliminar ou mitigar cedo as dependências – Os produtos hoje têm sempre algum tipo de dependência, seja em dados, em pontos de integração ou requisitos de segurança, por exemplo. Se sua equipe estiver trabalhando em plataforma low-code e depender de outras que não estão, será preciso identificar e mitigar essas dependências muito mais cedo do que no passado. Podem ser boas ideias negociar SLAs ou eliminar dependências utilizando o low-code também para resolvê-las.
  • Incrementar a eficiência dos protocolos da metodologia Ágil – Um desenvolvimento low-code é uma boa oportunidade para tornar mais eficientes os protocolos (ou cerimônias) da metodologia Ágil, por exemplo com histórias de usuários mais concisas para reduzir o tempo necessário ao refinamento do backlog ou planejamento de sprints, ou ciclos de trabalho. O tempo de duração dos sprints também pode ser diminuído por equipes de metodologia Ágil utilizando uma plataforma low-code.

 

Se você gostou da ideia de unir metodologia Ágil e plataforma low-code, baixe agora mesmo nosso eBook “Automação de processos na era da transformação digital: uma mudança de paradigma”.

 

“Marcelo Almeida, Head de Marketing e Vendas”

Formado em Engenharia Mecânica com ênfase em Produção pela FEI; estudou no GVPec, Programa de Educação Continuada da FGV-SP e possui MBA-Executivo pela BBS (Brazilian Business School). Marcelo Almeida possui 20 anos de experiência em empresas nacionais e multinacionais com vivência em áreas estratégicas como Vendas, S&OP, Desenvolvimento de Negócios, Compras, Suprimentos, Otimização da Cadeia de Suprimentos e Planejamento de Compras, tendo know-how e expertise em desenvolvimento e análise de relatórios de performance, atendimento a cronogramas, mapeamento de processos, gestão de projetos e estudos de viabilidade financeira para tomada de decisões estratégicas. Confira seu linkedin.

 


Referências:

  1. Predicts 2020: Barriers Fall as Technology Adoption Grows — A Gartner Trend Insight Report, Gartner, dezembro de 2019. Analistas: Daryl Plummer, Frances Karamouzis, Gene Alvarez, Janelle Hill, Rita Sallam, Todd Yamasaki
  2. A nova fronteira: automação ágil em escala: https://www.mckinsey.com/business-functions/operations/our-insights/the-new-frontier-agile-automation-at-scale/pt-br
  3. Top 5 Benefits of Low-Code Development Platforms: https://www.outsystems.com/blog/posts/benefits-of-low-code-platforms/
  4. Predicts 2020: Barriers Fall as Technology Adoption Grows — A Gartner Trend Insight Report, Gartner, dezembro de 2019. Analistas: Daryl Plummer, Frances Karamouzis, Gene Alvarez, Janelle Hill, Rita Sallam, Todd Yamasaki